O avanço das plataformas de apostas online no Brasil está gerando impactos diretos nas relações de trabalho. Além de demissões por justa causa, empresas estão acionando judicialmente empregados que, durante o expediente, se envolvem com jogos de azar — comportamento que tem sido enquadrado como falta grave pela Justiça do Trabalho.
Em um caso recente julgado uma funcionária foi demitida por justa causa após ser flagrada jogando em sites de apostas durante o expediente. Testemunhas confirmaram que ela convidava colegas para participar dos jogos, mesmo após advertências e suspensões. A juíza responsável destacou que a prática reiterada afetava diretamente a produtividade da funcionária e violava normas internas da empresa, justificando a penalidade máxima prevista na CLT.
Além disso, empregadores têm buscado recuperar valores devidos por ex-funcionários através de créditos em sites de apostas. Em decisão inédita, o Tribunal Regional do Trabalho autorizou a expedição de ofícios para plataformas como Bet365 e Betano, exigindo que informem se os devedores possuem créditos disponíveis. A medida visa garantir o cumprimento de dívidas trabalhistas, utilizando a regulamentação da Lei 14.790/2023 como base legal para combater a ocultação de patrimônio
Esses casos revelam um novo cenário jurídico e corporativo, onde o vício em apostas deixa de ser apenas uma questão pessoal e passa a impactar diretamente contratos de trabalho, produtividade e até execuções judiciais.