A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR‑1), divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), estabelece que empresas de todos os portes deverão identificar, avaliar e gerenciar formalmente riscos psicossociais no ambiente de trabalho. A nova regra integra a saúde mental ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) e passa a valer definitivamente em maio de 2026.

A norma amplia o conceito de risco ocupacional e inclui, de forma obrigatória, fatores associados ao adoecimento emocional, como:

    • Estresse ocupacional
    • Sobrecarga de trabalho
    • Metas inalcançáveis
    • Assédio moral ou sexual
    • Conflitos interpessoais
    • Falhas na gestão e falta de apoio

Esses elementos passam a ser parte integral da matriz de riscos, exigindo ações preventivas, monitoramento contínuo e revisões periódicas por parte das empresas.

Para especialistas, a principal mudança é que a saúde mental deixa de ser uma iniciativa voluntária e passa a ser uma obrigação legal, inserida na política de Segurança e Saúde no Trabalho (SST).

A atualização da norma ocorre em meio ao crescimento expressivo dos afastamentos por transtornos mentais. Segundo o Ministério da Previdência Social, houve aumento de 67% nos afastamentos entre 2023 e 2024, ultrapassando 440 mil trabalhadores afastados apenas em 2024 por questões de saúde mental.

A implementação enfrenta obstáculos, principalmente porque riscos psicossociais envolvem fatores subjetivos e culturais. Entre as dificuldades:

    • Falta de dados estruturados sobre absenteísmo emocional
    • Escassez de indicadores sobre clima organizacional
    • Necessidade de capacitação das lideranças
    • Revisão de práticas de gestão e processos internos

Especialistas reforçam que gestores terão papel central na prevenção, exigindo formação contínua para elaboração e execução de políticas eficazes.

Embora a atualização entre em vigor em maio de 2026, o MTE estabeleceu um período educacional para adaptação. A fiscalização com possibilidade de autuações começa a partir de 26 de maio de 2026, conforme portarias anteriores que ampliaram o prazo.

O que as empresas precisam fazer:

    • Incluir riscos psicossociais no PGR
    • Realizar diagnósticos internos sobre saúde mental
    • Reestruturar processos e políticas de gestão
    • Capacitar líderes para prevenção e tratamento adequado
    • Monitorar continuamente indicadores de bem-estar

A atualização da NR‑1 representa uma mudança profunda: a saúde mental deixa de ser um tema periférico e passa a integrar a espinha dorsal da gestão de riscos ocupacionais.

Diante das mudanças estruturais e do potencial impacto trabalhista, previdenciário e reputacional das novas exigências, é fundamental que as empresas contem com assessoria jurídica especializada.